• Gláucio Bezerra Brandão

Eu, um empreendedor ciborgue?!


“Ok, GBB-San: você não tem mais o que inventar e começou a apelar, that's right? Qual a lógica para colocar empreendedor e ciborgue numa mesma frase?”. E eu te responderia: “Por onde e como você está interagindo comigo, Padawan?”. E tem mais: de quebra, ainda vou explicar porque a interrogação e a exclamação estão juntas.


Para não estender muito a introdução desta aula condensada (AC) produzindo meus próprios conceitos, vou trazer para cá três da melhor enciclopédia que eu conheço, a Wikipedia:


“Um ciborgue é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial”.


“A cibernética é o estudo interdisciplinar da estrutura dos sistemas reguladores, suas estruturas, restrições e possibilidades. Norbert Wiener definiu a cibernética em 1948 como ‘o estudo científico do controle e da comunicação no animal e na máquina’. Em outras palavras, é o estudo científico de como humanos, animais e máquinas controlam e se comunicam. A cibernética é aplicável quando um sistema em análise incorpora um circuito fechado de sinalização - originalmente chamado de relação "causal circular" - isto é, onde a ação do sistema gera alguma mudança em seu ambiente e essa mudança é refletida no sistema de alguma maneira (feedback) que aciona uma alteração no sistema”.


“Empreendedorismo é o processo de iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes. (...) está relacionado com a criação de empresas ou produtos novos, normalmente envolvendo inovações e riscos. (...) O empreendedorismo está muito relacionado com a questão de inovação, na qual há determinado objetivo de se criar algo dentro de um setor ou produzir algo novo. Diversas startups, por exemplo, inovam-se dentro de um setor existente”.


Implementar algo novo (empreender) é mudar o status quo de algo; é mexer no sistema. Ter capacidades estendidas artificialmente é estar dentro do conceito de ciborgue. Interagir com máquinas e tentar controlar um ambiente que reage, ou dá qualquer tipo de retorno, é fazer uso da cibernética.


Bom, já viram onde quero chegar. Vou usar o resto do texto para explicar a interrogação e a exclamação.


Ciborgue: Meu celular ”pifou”


Desespero total, né não? Já ouvi várias vezes: “Estou sem perna”; “Tô ferrado” ; “Fiquei sem chão"; “Perdi meu braço direito”; “Eita, tinha um meeting da escola de meus filhos hoje - Isso é fato, terei mesmo (23.02.21), e estarei fora de casa”. “Como vou negociar tal coisa no Insta?”; “E agora, como eu chamo o Uber?”; “Como assistir aula?”; “Minhas redes sociais…”; “Que horas será que são?”; “Tal pessoa me passou o endereço. Como eu chego agora?”. “Meu melhor amigo…”; “E a partida do Clash Royale… Ferrou!”; “Que saco, ter de aguardar a consulta sem o meu celular…”; “Como ler meus ebooks agora?”; "E os resultados dos exames…"; “Ele é meu despertador”; “Emails de confirmação, compras etc.”. Ação imediata, mesmo sem ter dinheiro na praça: “Vou agora mesmo na loja comprar outro!”. E vai ter de ir de ônibus ou veículo próprio, hehe!


Pergunta #01: Quando isto acontece (aconteceu ou acontecerá), como você se sente (se sentiu ou se sentirá) sem essa “parte de seu corpo”, seu ciborgue? E olhe que estou falando de um único aparelho, que não está colado (eu acho) em seu corpo.


Cibernética: Indústria 4.0


“Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial é uma expressão que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas ciber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem. O foco da Quarta Revolução Industrial é a melhoria da eficiência e produtividade dos processos. A Indústria 4.0 facilita a visão e execução de ‘Fábricas Inteligentes’ com as suas estruturas modulares, os sistemas ciber-físicos monitoram os processos físicos, criam uma cópia virtual do mundo físico e tomam decisões descentralizadas. Com a internet das coisas, os sistemas ciber-físicos comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real, e através da computação em nuvem, ambos os serviços internos e intra-organizacionais são oferecidos e utilizados pelos participantes da cadeia de valor”. (Wikipedia).


Os executivos em todos os escalões (C-Level, diretores, gerentes, chefes de setor, donos de bodegas, professores e seus SIGAA’s etc.) transformaram seus respectivos celulares, tablets, PC’s (gadgets em geral) em extensões remotas (ou presenciais virtuais… ou não remotas… ou a distância com câmera, como se lá estivessem… sei lá) para, através de um BI (Business Intelligence), controlarem até as relações entre custo, preço e logística envolvida em seus produtos em tempo real, os famosos markups, algo que desenho em E para o Varejo, nada?. As fábricas (e salas de aula, no meu caso), estariam literalmente paradas sem estes dispositivos e app. Ou seja: estamos utilizando a ubiquidade - fato de estar ou existir concomitantemente em todos os lugares, pessoas, coisas (Oxford) - como uma forma de interagir (agir e colher feedback) com pessoas e objetos a distância, conceito próprio da cibernética.


Pergunta #02: Seu gadget pifou. Quando isto acontece (aconteceu ou acontecerá), como você se sente (se sentiu ou se sentirá) profissionalmente sem essa “parte de seu corpo”, seu ciborgue? E olhe que estou falando de gadgets comuns, que não estão colados (ainda) em seu corpo.


Nossa auto-revolução


Da AC Abstração (des)estruturada: a fonte para inovações de ruptura! (Parte I), falo sobre evoluções superpostas, coisas estão acontecendo em paralelo:


“Observemos algumas características da 4ª. Além de estar acontecendo a convergência dos campos físico, digital e biológico nas fábricas, o que em si já seria uma revolução ‘de’ e ‘para’ o Mercado, a própria tecnologia não-linear, auxiliada pela Inteligência Artificial, está proporcionando paralelamente uma modificação humana intrínseca – neurológica e fisiológica -, a partir das biotecnologias, neurotecnologias, engenharias teciduais e genéticas, nanotecnologias, coisas que as três revoluções anteriores nem tocaram. Até a escolha de caracteres genéticos já está sendo feita. “Quero uma menina, de olhos azul-manteiga, bronze-cana-caiana, sem propensão a tais doenças, que tenha as maiores notas no MIT e faça parte da liga americana de basquete”. Observe que é um efeito colateral, e paralelo, não tocados pelas revoluções sucessoras. Temos um darwinismo artificial vindo a reboque de uma revolução industrial. Vai dar pau em algum lugar…” (GBB-San, novembro de 2019).


Segundo Musk, os implantes cerebrais em humanos podem começar neste ano. Não seremos capazes apenas de abrir portas com as têmporas. Poderemos até ter um coprocessador matemático com IA (inteligência artificial) anexo ao cerebelo.


Pergunta #03: Quando isto acontecer (a versão comercial do Neuralink©), como você sentir-se-á, seu ciborgue, assim que seu implante pifar? E olhe que estou falando de gadgets comuns, que estarão colados (inseridos, na verdade) em seu corpo.


Finalizando…


Onde eu quero chegar: ou você aceita o inevitável tecnológico e entende que não há como empreender sem extensões tecnológicas, ou sofrerá muito profissionalmente.


Perguntas são sucedidas por pontos de interrogação. Respostas enfáticas por exclamação. Olhando as três perguntas que fiz, espero ter convencido você de que o título para esta AC mais condizente com os tempos hodiernos tem de ser uma resposta enfática: “Eu, um empreendedor ciborgue!”. Portanto, admita a evolução, saia logo do armário analógico e encontre a felicidade sendo ciborgue com a gente… Não tem mais volta!


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