O que vem por aí?

Que tudo está mudando já está bem claro, mas de que forma emergiremos disso tudo ainda é uma folha de papel a ser escrita. Vale a pena refletirmos sobre que tipo de palavras queremos escrever...


Nesse final de semana me deparei com uma série de artigos da internet comentando a questão da mudança imposta pela pandemia. O que estamos vivendo é um fato histórico e disso ninguém mais tem dúvidas, porém, a ansiedade de participantes nos faz tentar desesperadamente prever o que nos espera quando tudo isso acabar.

De fato, participar de um fato histórico é muito diferente de vê-lo a partir do olhar de espectador analisando o passado. Ver o efeito das decisões tomadas no passado sob os pobres participantes da época e se compadecer dos efeitos maléficos que tiveram as más decisões, é muito diferente de sentir na própria carne o efeito dessas. Claro que tivemos também decisões acertadas que evitaram desastres, mas, a minha sensação é que, historicamente, o número de decisões ruins supera o das boas.

Bem, enfim, estamos nós aqui e nos resta viver para ver o que virá!

Na postagem de 19/04 (https://bit.ly/2yqhCA2), o Cacau Menezes descreveu uma série de insights tirados a partir de duas lives, uma do Silvio Meira e outra de uma entrevista feita pelo CEO do BTG Pactual. Ele lista vários itens (que eu sugiro fortemente que você vá lá dar uma lida...) dos quais eu vou eleger 5 que gostaria de priorizar e comentar, são eles:

1. “empresas terão que abandonar a “gambiarra digital”. Ou é digital mesmo ou não é. Plataformas digitais competentes mesmo que sejam pequenas são as que vão sobreviver” (sic);

a. “não existe setor da economia ou tamanho de negócio que possa dizer ‘eu não tenho necessidade de investir no digital’. Quem pensar assim não tem futuro.” (sic).

2. “Os maiores varejistas americanos já demitiram mais de 1 milhão de pessoas e devem reempregar somente 85 % deles no fim da crise. A explicação é que o comércio tradicional vai encolher” (sic);

3. “existem 1.700.000 virus detectados em animais, desses 1.700 são coronavirus. Temos que aprender com essa crise e preventivamente estarmos prontos para ter um surto por década.” (sic);

4. “o modo de viver de se relacionar de trabalhar vai mudar tanto que nós dividiremos a história em ‘Antes do Corona’ e ‘Depois do Corona’.” (sic);

5. “assim como os remanescentes da antiga industria americana tem dificuldades de se recolocar e acabam por sustentar posições políticas protecionistas (que culminou com a eleição do Trump), esse movimento vai se alastrar pelo mundo com o crescimento rápido da industria digital. Conclusão: quem hoje está ocupado já precisa começar a pensar na sua futura profissão, tem que se atualizar o tempo todo nas novas tecnologias. As empresas de educação e o MEC precisam se comunicar com o mercado incessamente e entender as necessidades para fornecer os conteudos demandados que não são mais aquilo que as universidades hoje entregam aos alunos. Retreinamento contínuo. Na sociedade do conhecimento não existe “ex-aluno”. Ou vc está aprendendo o tempo todo ou vc está desempregado.” (sic).

Olhando para esses 5 itens, temos que a buzzword “Transformação Digital” vai deixar de ser somente uma word, e também deixar de ser buzz... Ou as empresas encaram essa transformação, ou vão se transformar em “defuntos”. Não há o que fazer! Igual a qualquer um de nós quando experimenta uma coisa que não conhecia e ficamos estasiados com a nova experiência! Alguém que passou por isso vai querer, de livre e espontânea vontade, voltar ao “antes”? Pois é!

Estamos sobrevivendo através do digital, vamos querer continuar com ele...

Observando as estimativas de recontratação da pós-pandemia, vemos que o processo que estava engatinhando há muito tempo em várias empresas, e que não ia pra frente por medo do impacto, dos custos e pela “cara feia dos acionistas”, está aí e mostrando que, sendo criativo, é possível não só sobreviver como crescer nesse contexto de crise desde que se planeje no longo prazo (vide exemplo da Amazon). Então, ficou claro que as suspeitas de que várias atividades são passiveis de serem feitas a distância são totalmente verdadeiras. Logo, quem vai querer voltar a arcar com os custos de um escritório e, por outro lado, quem vai querer voltar a enfrentar o trânsito de grandes cidades todos os dias só pra chegar no escritório?

O tal do Corona é só mais um! O Bill Gates fez um famoso TED Talks há 5 anos mostrando a nossa fragilidade, como raça, perante uma pandemia... O que fizemos? Praticamente nada, pois TODOS estamos de quarentena. Ops! Descobrimos que somos tão frágeis que um uma capa de proteína com um pedaço de RNA em seu interior é capaz de nos enterrar a todos?? Estamos vivenciando, de fato, o nascimento de uma nova divisão histórica do tempo, AC/DC, com o C sendo Corona...

Diante de tudo isso, a conclusão obvia é que a vida vai MUDAR, e vai mudar MUITO! Quando falamos de vida, é claro que isso envolve a fonte de nosso sustento, afinal, muitas serão as mudanças, mas a constância do tal do “boleto” é também óbvia. Logo, de que forma vou gerar rendimentos para sustentar a mim e à minha família? Pergunta “cabulosa” essa não?

A era DC (Depois do Corona) será pautada pelo self: 1) self learning (autoaprendizagem) e 2) self employment (auto emprego). Ou seja, VOCÊ (o self) vai ter que atuar como uma empresa do tipo “Indivíduo S/A” e planejar não só o crescimento, mas também o ponto de equilíbrio e a lucratividade. VOCÊ, vai ter que aprende a conhecer a si mesmo a ponto de fazer uma análise self-SWOT diante de cada cenário mercadológico em que a tal Individuo S/A vise atuar. Estranho? Não! Isso é pensar em VOCÊ como um empreendedor de si mesmo que bebe com vontade da fonte do empreendedorismo inovador... No DC vai valer a máxima “se queres um emprego, vais ter que cria-lo!” (não sei o autor).

Uma mudança significativa, pois nos leva ao questionamento de que os nossos métodos de ensino não estão criando profissionais a altura desses desafios. Mudanças terão que vir com urgência para que não tenhamos panoramas como a questão da enorme quantidade de vagas que estão em aberto na área de TI em nosso país já a vários anos... Numa situação onde existem mais de 13 milhões de desempregados (dados AC) e esperávamos para 2020 algo no entorno de 480 mil vagas de TI sem preenchimento, tem-se a evidência cabal de que o Ensino não está colocando no mercado pessoas com os perfis necessários. Isso NÃO é um problema quantitativo, é qualitativo mesmo!

Sempre que nos assustamos com algo que expõe a fragilidade dos humanos, somos tomados por uma áurea de reflexão! É o que mostra o artigo da BlackRock sobre a precificação de ativos (https://bit.ly/2KjI2pR). A sustentabilidade vai se tornar a moeda da vez. Nesses poucos dias de quarentena forçada, o mundo anda testemunhado o quão nocivo nós somos com a nossa única casa, a Terra! É a poluição sobre as grandes cidades quase desaparecendo, os canais Veneza cristalinos e tantas outras demonstrações do poder de regeneração da natureza. A constatação, no meu ponto de vista, é que nós somos o vírus e que o planeta estaria muito melhor sem a nossa presença!

Quando uma gestora de ativos que detém o controle de 7 TRILHÕES de dólares informa que alterou a sua IA de decisão de investimentos (Aladdin) para considerar métricas do que eles chamam de ESG – meio ambiente, social e governança – das empresas, é um sinal CLARO que as empresas no DC vão ter que se adequar, e por consequência, NÓS também vamos...

O Brasil vai ter que fazer o seu dever de casa! Um trabalho dantesco...

Já apontando na mesma direção da visão da apontada pela BlackRock, vemos a cidade de Amsterdã anunciar que adotará o modelo Donut de economia (https://bit.ly/3bpME9Q). Uma esfera governamental que também sinaliza que chegamos a uma encruzilhada onde, como diz um amigo, um “Ctrl-Z” não é mais possível. Temos que mudar pois, no DC, a recuperação estará cada vez mais próxima do impossível real.

Não se pode manter um modelo de economia onde o crescimento do consumo deve ser continuamente. Nada cresce continuamente num ambiente limitado! O nosso ambiente é limitado e bem finito: a Terra!

Precisamos conhecer melhor o modelo donut de economia proposto por Kate Raworth! Esse modelo não é novo, já vem sendo discutido a vários anos, mas, como é nosso costume, não ouvimos nada de dentro de nossa zona de conforto (ZC). Agora que o Corona derrubou a nossa confortável ZC e deixou nossos ouvidos bem abertos, é possível e necessário que prestemos mais atenção...

Para conhecer melhor esse modelo, veja o TED Talks que a Kate Raworth apresentou em 2018: https://www.youtube.com/watch?v=Rhcrbcg8HBw

Nessa apresentação, é possível ver o que seria o ideal:

E como estávamos em 2018...


Vale a pena conferir e refletir.

Abraços.

Alberto.


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