Tomadas de decisão: caóticas, mas nunca aleatórias!


Muita gente confunde estes dois conceitos. Na verdade, é o mesmo que misturar algo sensivelmente instável com uma ação arbitrária, daí as más decisões. Por incrível que pareça, o caos é determinístico, enquanto que decisões arbitrárias, muitas vezes com origem em crenças limitantes, podem levar a resultados aleatórios e inconsequentes. Entender bem como isso se dá e como nosso cérebro funciona, pode ajudar a aprimorar decisões nos negócios.


Conceito de Caos


“Pequenas diferenças nas condições iniciais, tais como as causadas por erros de arredondamento em computação numérica, produzem resultados amplamente divergentes para tais sistemas dinâmicos, tornando a previsão a longo prazo impossível, em geral. Isso acontece apesar de estes sistemas serem deterministas, o que significa que seu comportamento futuro é determinado por suas condições iniciais, sem elementos aleatórios envolvidos. Em outras palavras, a natureza determinista desses sistemas não os torna previsíveis. Este comportamento é conhecido como caos determinístico, ou simplesmente caos”. (Wikipedia)


Reduzindo em uma frase, até os sistemas determinísticos são sensíveis e podem não respeitar uma relação simples de causa-efeito.


Como funciona nosso cérebro


Segundo o Nobel de Medicina e Fisiologia de 1981, Roger Sperry, “os lados do cérebro estariam divididos entre as funções lógica e criativa, sendo o esquerdo responsável pela tomada de decisões ‘racionais’ e o direito pelas escolhas ‘emocionais’”, resultado que fora obtido do estudo de pessoas que sofreram cisão do carpo caloso (estrutura que une os dois hemisférios do cérebro). Embora seja uma hipótese muito controversa, o psicólogo Daniel Goleman ainda acrescentou um novo sabor a esse tema, ao popularizar a divisão de nosso “cabeção” entre QI e QE (quocientes intelectual e emocional, respectivamente), o que, em minha opinião, são apenas variantes do proposto por Sperry. Sobre tudo isto, lembre que os 86 bilhões de neurônios que formam nossa massa cinzenta também trabalham em dois estágios: disparam ou não. O que estas sentenças têm em comum? Embora não seja da área, posso dizer que se tratam de abordagens que atribuem ao nosso cérebro um perfil binário, e isso impacta diretamente em uma de nossas principais ações empreendedoras: a tomada de decisão.


Intrinsecamente, não temos como fugir de uma briga interna entre “o que fazer” (emocional) e “do como fazer” (lógico), quando um fato deflagrador nos tira da inércia. O tempo (atraso ou falta), o tipo de escolha (lógica ou emocional) e o caráter irremediavelmente binário de nossos cérebros, pode transformar a primeira decisão na variável sensível da qual todas as outras terão por base, levando a resultados deterministicamente imprevisíveis. Paradoxal, não é mesmo? Usamos essa frase muitas vezes, só que de forma coloquial: “Eu bem que avisei!”. Pra simplificar esse palavrório todo, fiz um “desenhinho”.