Você já ouviu falar de computação afetiva?

Atualizado: Mar 6


Olá caro leitor, neste que provavelmente é o meu primeiro post, venho perguntar, você sabe o que é

computação afetiva (do inglês Affective Computing)? Ao juntar dois termos que muita gente conhece, poderiamos pensar, será um computador fazendo carinho no usuário? Ou poderia ser o usuário a declarar palavras carinhosas para um equipamento eletrônico? Já respondo dizendo que é nem um nem o outro. Computação afetiva é uma área que engloba a ciência da computação, psicologia e ciência cognitiva. Esse termo foi criado e amplamente divulgado por um artigo escrito pela pesquisadora Rosalind Picard em 1995. Ela define que computadores podem ter a capacidade de reconhecer, expressar e, em alguns casos, ter emoções.


Agora você, caro leitor, deveria dar uma pausa na leitura, olhar para o horizonte e pensar: “Como assim, computadores tendo emoções??” Se você fez o exercício que propus, deve agora se perguntar: “Isso não é um absurdo?!?” Afinal, sabe-se que computadores são equipamentos sem vida, sem sentimento, não sentem amor, ódio ou dor. “Como eles podem ter emoções?” Isso tudo parece nonsense, não é mesmo! Tentarei explicar o que essa “multiarea” da computação é na realidade e como ela, se bem utilizada, pode beneficiar muitas pessoas nas mais diversas e diferentes situações do dia-a-dia. A motivação da Picard ao criar esse termo foi tentar permitir que computadores, ou melhor sistemas computacionais, possam adaptar seu comportamento de acordo com o estado emocional do ser humano e desse modo dar uma resposta apropriada a esse estado.


Façamos o seguinte exercício, imagine-se entrando no seu carro para voltar pra casa depois de um dia cansativo e irritante de trabalho. Ao colocar as mãos na direção sensores no volante conseguem identificar que sua temperatura corporal está elevada e assim ativa o sistema de arcondicionado na tentativa de regular a temperatura que seria mais agradável e deixaria você mais à vontade. Ao pressionar o acelerador de forma violenta e fazer curvas apressadas, ou seja, ao dirigir de forma imprudente, a playlist do carro começa a tocar músicas mais calmas e relaxantes, tentando fazer você ficar mais relaxado. Repare que o sistema emotivo do carro já está em ação, analisando o seu estado emocional e tentando adaptar o seu comportamento para que se sinta melhor. Se parar para pensar, esse exemplo não é um absurdo, pois a sociedade já tem tecnologia para implementar. Contudo, seguindo o exemplo anterior, imagine se o sistema emotivo do carro influencia a pessoa a agir de forma cada vez mais imprudente. Isso pode ser muito prejudicial. Por esse, e pelo motivo de que essa área ainda é recente e lida com questões muito delicadas do ser humano (seu estado emocional), é necessário que haja muita pesquisa antes de ser completamente implementada no nosso cotidiano. Essa última frase soa como se por enquanto, a computação afetiva está apenas no campo acadêmico. Mas isso não é bem a realidade, algumas pesquisas já evoluiram para produtos

que podem ser adquiridos por qualquer pessoa. Um desses equipamentos é um “robô brinquedo” chamado Vector da empresa Anki.


Esse pequeno robô tem alguns sensores capazes de ler o ambiente e reagir de acordo. E, dependendo de como a pessoa interage com ele, o robozinho pode simular emoções que o fazem parecer que ele está feliz, triste, curioso, entre outras emoções. Vale ressaltar, que dependendo da emoção que ele está simulando o seu comportamento será diferente. De acordo com os desenvolvedores do simpático robozinho: “Quando ele detecta o seu dono, fica feliz e ansioso por ajudar. Quando percebe um som vindo de trás, ele roda 180 graus para investigar. Quando o dono afaga as suas costas (onde fica posicionado um sensor capacitivo), ele relaxa. Caso o seu sensor de queda detecte os limites da mesa, ele ficará momentaneamente surpreso – e então registrará aquela área como um limite, passando a explorar outros pontos.” Espero ter atiçado sua curiosidade e, depois de ler esse post, você irá Googlar: “Vector Robot”.


Porém, agora estou me perguntando, será que estou conseguindo deixar claro o quão interessante é a área da computação afetiva e como ela pode beneficiar as pessoas? Para tentar garantir isso vou citar então, o exemplo dado por minha orientadora, durante a aula ela nos mostrou os benefícios que essa área pode apresentar. Foi um trabalho de pesquisa de Wada e colaboradores onde os autores utilizaram um robô chamado Paro que tem a forma de um bebê foca (faz um Google com as palavras “Paro robot” e veja que bonitinho é esse robô!).


Eles utilizaram esse bebê foca para desempenhar o papel de companheiro de pessoas idosas em um asilo, que interagia e reagia a afagos. Foi percebido que o humor, níveis de depressão e sentimentos sentidos pelas pessoas idosas melhoravam quanto mais tempo eles interagiam com o robô. Repare caro leitor, que esse é apenas um pequeno exemplo de como um equipamento que consegue simular algum tipo de emoção e se adaptar ao estado emocional da pessoa, pode afetar e influenciar um ser humano.


Existem centenas, quiçá, milhares de exemplos que poderia pesquisar e citar para descrever os benefícios que a área de computação afetiva pode ter na nossa sociedade. Contudo, nosso papo já está muito longo e quero guardar mais assunto para um próximo encontro. Então irei fazer uma série de posts que, espero, ajude a compreender e incentivar a pesquisa nessa, digamos, “nova” e pouco explorada área da computação.






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